Todos os dias são dias de ano novo para as organizações desportivas de elite. Contudo, as resoluções de este ano são maiores que nunca.

O auto-aperfeiçoamento é normalmente a resolução de Ano Novo da maior parte das pessoas, mas no mundo altamente competitivo dos desportos de elite, todos os dias têm de ser 1 de janeiro. E embora isto tenha sido sempre verdade, estamos a entrar num novo ano em que o que está em jogo é maior do que nunca, e as organizações desportivas estão perfeitamente cientes que precisam de ter um desempenho muito diferente – dentro e fora de campo. Sustentabilidade financeira. Orçamentos com desempenho superior. Desempenho de jogo consistente. Processos preparados para o futuro. Eficiência organizacional. Inovação. Estes pontos estão no centro de todas as conversas que estamos a ter. Ficar estagnado e seguir velhos hábitos, mesmo para os campeões tradicionais, já não é uma opção.

Em 2021, estamos a contar que a maior transição na indústria, seja a adoção de modelos de negócio que já transformaram outras indústrias: organizações altamente integradas – com uma visão partilhada do sucesso – que colaboram entre si, usando a informação para definir a sua direção estratégica, para tomar decisões com impacto imediato, e para continuamente (sem parar) encontrar formas de melhorar.

Há três tendências chave que estão a acelerar esta transição:

Going Farther Ir mais longe e mais rápido, Juntos

Reduzir a complexidade e melhorar os resultados através de um modelo de desempenho sincronizado e alinhado, com todos os departamentos a trabalhar para um conjunto de objectivos comum, para jogadores individuais ou para a equipa, como um todo. Todos a remar para o mesmo lado.

The A Fábrica de Desenvolvimento de Talentos

Fornecer um canal de talentos sustentável, que desenvolve o talento, alinhado com a filosofia do clube e maximiza o potencial de cada jogador através de uma abordagem sistematizada de desenvolvimento a longo prazo, a todos os níveis.

Adaptar à Velocidade do Desporto

Aumentar a consistência através de um planeamento mais preciso, e maior adaptabilidade em tempo real, para otimizar o desempenho da equipa e de cada indivíduo.

Estas tendências representam uma mudança significativa, longe de como as equipas têm operado no passado. Como poderá ver em baixo, requer uma mistura de mudanças organizacionais, operacionais e tecnológicas para dar apoio às mesmas, mas os resultados são transformativos. Se estiver interessado em saber como as equipas estão a abordar estas mudanças, continue a ler.

Esta publicação cobre as três a nível superficial, mas iremos aprofundar cada uma em publicações subsequentes, tal como partilhar resultados de equipas que se encontram nesta jornada transformativa.

#1 Ir mais Longe e mais Rápido, Juntos

As equipas chegaram à conclusão que, embora cada departamento é responsável pelo desempenho, nenhum departamento consegue alcançá-lo sozinho. E não se trata de apenas trabalhar em conjunto – trata-se de trabalhar sincronizados.

A maioria das equipas ainda está presa à abordagem tradicional de funções por departamento. É óbvio que estão a trabalhar árduamente, colaborando como podem, e a contribuir. Mas podiam alcançar muito mais. Quando as pessoas, a informação e a comunicação estão separadas, acontecem duas coisas:

    1. As decisões são tomadas de forma assíncrona, e sem toda a informação e perspectivas relevantes, que criam o panorama completo do que se está a passar. Isto limita o impacto dessas decisões.
    2. As decisões demoram muito a serem tomadas, e a oportunidade para ter um impacto real passa ao lado, quando mais importam.

Em 2021, as equipas estão agressivamente à procura de caminhos para isto, através de

  • mudanças organizacionais e culturais para trabalhar melhor sincronizados; e
  • mudanças operacionais e tecnológicas para fornecer informações relevantes, potenciar a colaboração, otimizar a comunicação e automatizar os processos.

Adam Beard dos Chicago Cubs escreveu recentemente um excelente artigo sobre este tema. Juntos, estes dois caminhos garantem que toda a gente na organização possa ter acesso à informação certa, no momento certo, para poder atuar nas áreas mais relevantes. Juntos, criam uma cultura “aberta”, criam confiança, e uma profunda vontade de refinar os processos, os programas e as metodologias.

#2 A Fábrica de Desenvolvimento de Talentos

No segundo tema, as equipas estão a focar-se no talento e na crescente necessidade de criar um canal consistente de talento e otimizar o ajuste e potencial deste canal. Num mundo com receita reduzida, onde as equipas estão a endividar-se cada vez mais, as que ganham o jogo de desenvolvimento de talentos, ficam à frente.

Na ausência de abordagens refinadas no desenvolvimento de talentos, as organizações não estão a maximizar os seus investimentos. Perdem tempo, dinheiro, talento e oportunidades. Existem carreiras que ficam aquém por potencial não cumprido e/ou lesões.

Para combater isto, em 2021, as equipas estão à procura de sistematizar o seu canal de talentos, ao:

  1. “Fazer engenharia reversa do sucesso”, quantificar o desempenho de elite e perceber como alcançá-lo a todos os níveis de desenvolvimento;
  2. Refinar programas e processos para sistematizar e ajustar os planos de desenvolvimento a todos os níveis, para aumentar o desenvolvimento e progressão;
  3. Usar informação em tempo real para otimizar o desenvolvimento da saúde e capacidades de cada indivíduo, para maximizar o potencial de cada atleta, a todos os níveis; e,
  4. Implementar uma abordagem consistente e escalável para o estabelecimento de metas individuais, planos de desenvolvimento e gestão e revisão contínua.

Ao informatizar toda a experiência do atleta, desde a fase mais embrionária, à mais avançada, as equipas conseguem quantificar o que move os aspectos centrais dos desempenhos desejados e constantemente melhorar os processos na programação e desenvolvimento. As equipas mais inovadoras veem a oportunidade de alavancar os dados analíticos para tudo, desde a uma melhor economia de talentos, a decisões mais informadas de retenção-libertação. A própria equipa torna-se numa fábrica de desenvolvimento de talentos. Esteja atento a uma ação agressiva sobre isto em 2021.

#3 Adaptar à Velocidade do Desporto

Enquanto a segunda tendência foca-se no longo prazo, a terceira tendência está focada na necessidade de ter uma maior compreensão e adaptabilidade em tempo real para manter os jogadores e as equipas no caminho certo e a um nível acima, em todos os jogos. Não é de estranhar que isto começa a implicar as camadas mais altas – a complexidade que precisa de ser contabilizada e otimizada, quase à velocidade da luz, é impressionante: viagens, complexidade dos horários, seleção, lesões, recuperação, fitness, força, níveis de desempenho, nutrição e muito mais.

Em 2021, as equipas estão a implementar sistemas que introduzem mais estrutura no lugar certo, e ao mesmo tempo, dar apoio à adaptabilidade. As equipas querem usar a informação para um planeamento colaborativo e baseado em evidências, que definem o melhor caminho para a equipa e cada indivíduo, em combinação com a capacidade de usar a informação para informar ajustes mensuráveis, para manter a equipa e cada atleta num trajeto de desempenho perfeito.

Grande parte do foco da última década tem sido orientado na recolha de mais informação, com algumas equipas a analisar e identificar padrões e tendências. Tem faltado à indústria, e às equipas, uma enorme capacidade de recolher dados passados, para informar o futuro. Mas agora existem tecnologias e técnicas de ciência da informação para interligar a informação com o desempenho, saúde, e desenvolvimento de resultados que uma equipa quer alcançar.

2021 vai ser o ano do centro de controlo, em que as equipas estabelecem visibilidade inter-departamental, para obter informação chave e respostas a perguntas críticas:

  • Quais são os nossos objectivos e qual é o plano para lá chegar?
  • A equipa e cada indivíduo estão no caminho certo?
  • Quem está preparado, e quem não está?
  • Quem está em risco, e quem não está?
  • Porquê e o que está a acontecer?

Os praticantes podem colaborar para ajustar o desempenho individual e de equipa, hoje e amanhã, apoiando diretamente as pessoas que “vestem a camisola” todas as semanas, desde a rotatividade à recuperação, e tudo pelo meio.

Pessoas. Processo. Tecnologia.

Qualquer equipa, que tenha embarcado na jornada para práticas modernas de negócio, dirá que não existe nenhuma receita para o sucesso, e que não acontecerá do dia para a noite. Contudo, com as parcerias certas, pessoas certas, processos e tecnologias, qualquer organização pode começar esse percurso, alcançar rápidas vitórias, desde os bastidores, front office, treinadores, equipa técnica e equipa de saúde, e acelerar no caminho para a excelência operacional, na sustentabilidade e na consistência. Estamos ansiosos por partilhar mais sobre estas jornadas – tanto os sucessos, como as lições aprendidas – nas próximas semanas e meses. É a jornada que partilhamos todos.

Stephen is the Founder and CEO of Kitman Labs.

Agradeço qualquer feedback que possam dar, nos comentários em baixo, no Twitter, ou através do meu email stephen@kitmanlabs.com.